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A Bioenergética chega ao Brasil num momento muito especial, pós ditadura nos "anos 80" . Antes éramos reichianos, tentando lutar contra a força da psicanálise, “éramos out siders”, nosso movimento era muito grande, mas desorganizado, não tínhamos muitos livros nem modelos “éramos selvagens”. A Bioenergética nos organizou transformou nosso rumo. Nosso destino ficou promissor era possível neste momento ter esperança de respeito, esperança do corpo conectado com a cabeça.
Dr. Lowen veio à primeira vez ao Brasil em 1989, já havia em São Paulo um instituto organizado, após sua vinda outros vários Institutos se organizaram no norte e no sul do país, cresceram e se desenvolveram na cultura peculiar a cada estado de um país tão grande.
A chegada da Virginia nos 90 nos organizou como Federação, juntos conseguimos expandir e fortalecer a Bioenergética. Buscávamos um modelo internacional de homem bem sucedido e saudável, afinal era uma escola norte americana chegando ao Brasil.
A linguagem corporal do brasileiro que é muito expressiva foi se centrando, tínhamos facilidades e despojamento na excussão dos exercícios, tínhamos também liberdade de tocar e ser tocado, pois o toque na nossa cultura, na nossa sociedade nunca foi abusivo.
O que causou um choque era a questão do stress e da dor que os exercícios de bioenergética traziam consigo como objetivo de promover entrega ex. Gritos, raiva, toques fortes nos levava a acting out.
Num país de busca de prazer na dança e no esporte, a dor deveria ficar distante. Fomos muito criticados por isso. Tínhamos um grupo que fazia bioenergética “grounding” na praia de Ipanema, não causava espanto nenhum. Somos uma cultura antropofágica e temos o costume de absorvermos todos os ensinamentos e transformá-los de acordo com a aceitação de nossa cultura.
Havia uma desorganização no inicio, e hoje cada vez mais reorganizado vamos criando novos territórios nas organizações, educação e na comunidade.
No XVII congresso internacional realizado na Bahia, muitos alunos queriam ver a “cara” dos estrangeiros e foram para se sentirem pertencentes ao universo internacional, o que era importante para um país de terceiro mundo. Hoje já pertencemos cada vez mais, dizem que já somos 2ª mundo.
A ida ao XX congresso internacional em Búzios neste momento já é uma busca de trocas. No Brasil atualmente a bioenergética já é familiar e não causa mais estranheza. "Crescemos".
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