O Ressoar do Tambor: Um caminho terapêutico sonoro-corporal

O Ressoar do Tambor: Um caminho terapêutico sonoro-corporal

Monografia de conclusão do curso de formação em Análise Bioenergética apresentado coo pré-requisito para o Instituto de Análise Bioenergética de São Paulo para obtenção do Título de CBT (Certified Bioenergetic Therapist) pelo IIBA (International Institute for Bioenergetic Analysis).

“No decorrer desta idade do gelo todas as cinco raças dos Filhos da Terra uniram-se às batidas do coração da Mãe Terra. Elas perceberam que a Mãe participava de suas cerimônias e sentiram que, ao bater os tambores, criava-se um ritmo comum, quase imperceptível, que parecia emanar da Terra. No interior de uma caverna, ou numa clareira da floresta, a batida do coração da terra afinava-se com a batida do coração de todos. Enquanto histórias das caçadas vitoriosas eram representadas diante da Fogueira o Tambor emitia um som grave e fazia circular uma energia que deixava todo o grupo em estado de frenesi.” (Jamie Sam, As cartas do caminho sagrado, a descoberta do ser através dos ensinamentos dos índios norte-americanos, 2 edição, Coleção Arco do Tempo, Rocco, p.271)

AGRADECIMENTOS

Agradeço minha mãe e meu pai, que já se foi, pelo apoio que sempre me deram nesse caminho profissional e de vida.

Agradeço à Liane Zink por me possibilitar esse encontro com a Bioenergética que me possibilitou um conhecimento mais global do ser humano e de como os traumas vividos ficam registrados em nosso corpo.

Agradeço aos professores e coordenadores, principalmente minhas duas coordenadoras: Andrea e Claudia.

Agradeço enfim minha estimada orientadora, Léia Cardenuto.

RESUMO:

Essa monografia visa elaborar uma compreensão sobre o uso terapêutico do tambor segundo a teoria Bioenergética e a teoria Musicoterapêutica.

O Tambor está presente deste os primórdios da humanidade sendo utilizado em tratamentos e na comunicação. O uso da vibração do tambor, a qual é sentida pelo nosso corpo, é de grande auxílio nos trabalhos terapêuticos.

Deste modo pesquisamos como a Musicoterapia e a Bioenergética olham para o uso do tambor no trabalho terapêutico, como compreendem seu efeito no ser humano e como podemos unir essas duas abordagens terapêuticas em uma compreensão do indivíduo como um todo.

Palavras chave: Musicoterapia, Psicoterapia Corporal, Bioenergética, Tambor.

INTRODUÇÃO

A ideia de aprofundar uma visão sobre um caminho terapêutico que una a visão corporal e a musicoterapêutica surgiu no decorrer da leitura de obras sobre a teoria Bioenergética.

A partir do momento em que começamos a estudar a Bioenergética fomos indagando o quanto a vibração entra no trabalho corporal. O quanto e como poderíamos unir a Musicoterapia e a Bioenergética em uma compreensão única e global do indivíduo.

Assim, pensando no trabalho Musicoterapêutico e nos instrumentos musicais decidimos focar no tambor pela sua grande capacidade de vibração e por estar presente em nossas diversas culturas e religiões desde os primórdios da humanidade.

O tambor produz uma vibração que é sentida pelo nosso organismo como um todo e deste modo consideramos um instrumento de grande auxilio no trabalho terapêutico.

Como no caso do xamanismo que fala sobre a tamborterapia ou drumming que tem seu foco em um trabalho através dos tambores visando a cura física e espiritual.

Começaremos falando sobre o sonoro e a vibração que consideramos ser básico para melhor compreensão da Musicoterapia e de nossos processos corporais Bioenergéticos.

Em seguida entraremos no capítulo da Musicoterapia que trabalha com o sonoro auxiliando o indivíduo a obter um maior conhecimento de si mesmo. Então, faremos uma breve apresentação sobre a teoria Bioenergética.

Finalizaremos apresentando o tambor com suas possibilidades sonoras, sua história e seu uso nos diversos fins para enfim fazer uma conexão do uso do tambor terapeuticamente incluindo a visão das duas teorias citadas.

1. SOM,VIBRAÇÃO E RITMO.

Iremos aprofundar um pouco sobre o sonoro para uma melhor compreensão de como o som, a vibração e o ritmo, características muito utilizadas em um processo terapêutico podem ser utilizadas e analisadas.

Desde o período intrauterino entramos em contato com movimentos, vibrações e sons produzidos pelo organismo materno através:

Das paredes uterinas Do fluxo sanguíneo Dos movimentos intestinais Da voz materna Da inspiração e expiração Etc.

A voz materna é um dos primeiros sons a ser reconhecido pelo feto.

Apresentaremos o ponto de vista teórico do musicoterapeuta Rolando Benenzon, psiquiatra e musicista Argentino que fundou em 1966 a escola de Musicoterapia na Argentina e influencia a Musicoterapia na Argentina e no Brasil até os dias de hoje.

Esses sons percebidos no interior do corpo do ser humano são considerados por R. Benenzon (1988, p.18) como sons regressivo-genéticos que podem nos transportar a etapas evolutivas primárias. André Fertier, compositor e pesquisador de Musicoterapia na França, vai de encontro com essa teoria quando coloca que a escuta dos sons intrauterinos leva a maioria dos indivíduos a um estado regressivo (1995, p.228).

O som é criado pelo movimento vibratório das partículas ou dos objetos e chega aos nossos ouvidos sob a forma de uma propagação ondulatória que é captada pelo nosso ouvido, quando está acima de 20hz, e interpretada pelo nosso cérebro que resignifica o som recebido.

Abaixo de 20hz ele não é percebido pelos nossos ouvidos, mas somente pelo nosso corpo através das vibrações. (DEWHURST-MADDOCK, O, 1995, p. 27).

Wisnik, músico e compositor Brasileiro, coloca que nossa relação com os universos sonoros e a música passa por certos padrões de pulsação somáticos e psíquicos como o pulso sanguíneo e a respiração entre outros (WISNIK, 1989, p.17).

Isso nos leva a pensar em o quanto o sonoro está relacionado com o nosso corpo, onde estão presentes as vibrações que fazem nosso corpo funcionar.

A vibração está presente no funcionamento de nosso organismo, os pulmões vibram para respirarmos, os batimentos cardíacos são movimentos vibratórios do coração, a fala se fundamenta na vibração das cordas vocais e os movimentos humanos envolvem oscilações de braços e pernas.

Através da vibração, o som movimenta a energia do que está bloqueado, o que Reich chama de couraças musculares, desmanchando estas áreas tensas, rígidas e imobilizadas onde a energia fica parada e o inconsciente também.

Deste modo podemos pensar no uso do tambor, que tem como princípio de funcionamento a característica vibratória como essência, utilizando sua vibração para auxiliar no desbloqueio das couraças musculares.

1.1 Ritmo

Ao falar de nosso mundo sonoro não tem como deixarmos de falar do ritmo presente sempre que o mundo nos proporciona sons diversos produzidos pelo ser humano ou pela natureza como um todo e que estão presentes desde nossa vida fetal, quando entramos em contato com os ritmos cardíacos de nossa mãe, entre outros.

Ele é importante na sincronia e realinhamento das necessidades corporais, ele tem tanto a capacidade de mover sua consciência para fora do corpo como para aterrar no momento presente.

Dentre os ritmos instrumentais, o ritmo do tambor é o que está mais relacionado às emoções humanas. É o instrumento que mais tem sido usado pelo homem nas diversas situações: na guerra, almadiçoando ou curando o doente.

O ritmo é uma qualidade neuromuscular, estimula os nervos e o corpo para a ação. Ele é individual e é importante que o indivíduo se harmonize comseu próprio ritmo e com os ritmos da vida para encontrar um bem-estar.

A combinação de movimentos musculares rítmicos produzindo um som rítmico é a mais eficaz para produzir uma alteração emocional.

Podemos dar um espaço de expressão de nossos ritmos internos nos expressando através do fazer musical, ou seja, através da produção sonora utilizando instrumentos musicais ou nosso próprio corpo dando um espaço para essa expressão.

Agora falaremos sobre a Musicoterapia para compreender melhor como o sonoro pode ser utilizado terapeuticamente.

2. MUSICOTERAPIA 2.1 Definição

Segundo a Federação Mundial de Musicoterapia (1996), “a Musicoterapia é a utilização da música e/ou seus elementos (som, ritmo, melodia e harmonia) por um musicoterapeuta qualificado, com um cliente ou grupo, num processo para facilitar e promover a comunicação, relação, aprendizagem, mobilização, expressão, organização e outros objetivos terapêuticos relevantes, no sentido de alcançar necessidades físicas, emocionais, mentais, sociais e cognitivas.” (WORLD FEDERATION OF MUSIC THERAPY)

Nesse sentido, a Musicoterapia tem como objetivo desenvolver as potencialidades do indivíduo visando uma melhora da qualidade de vida e de integração social do mesmo.

Um dos elementos importantes para este desenvolvimento é a ligação entre o cliente, o musicoterapeuta e o objeto sonoro, pois isto vai possibilitar a abertura dos canais de comunicação através dos diversos tipos de expressão como: os gestos, o olhar, o sorriso, o choro, o canto, o grito, os movimentos corporais e a manipulação dos objetos.

Para a Musicoterapia, o corpo humano é o instrumento mais importante pelas suas potencialidades sonoro-vibracionais.

2.2 História

A Musicoterapia surgiu oficialmente na Segunda Guerra Mundial, quando utilizaram a música na reabilitação e recuperação de soldados feridos, passando a ser utilizada terapeuticamente e cientificamente.

Na França a Musicoterapia surgiu após uma descoberta clínica realizada pela doutora Jacqueline Vedeau-Pailles, psiquiatra, chefe do Hospital Psiquiátrico de Limoux, estudante de piano e canto. A Dra. Jacqueline cuidava de um esquizofrênico delirante que perambulava o dia inteiro pelo pátio da instituição com o qual só se conseguia um contato breve e superficial. O pai desse cliente lhe contou que seu filho havia parado de caminhar quando escutou um concerto ficando imóvel durante o tempo que durou o concerto.

Então a doutora Verdeau-Pailles colocou um disco de um Coral de Bach para seu paciente escutar e ele parou ao ouvir os primeiros compassos da música.

No Brasil a Musicoterapia surgiu a partir dos trabalhos dos educadores musicais nas instituições que atendiam crianças com deficiência. Através da música conseguiram acessar essas crianças que transformaram seus universos relacionais.

O primeiro plano de estudos acadêmicos sobre os efeitos terapêuticos da música (como e por que eles eram alcançados) foi elaborado em 1944, em Michigan (Estados Unidos).

Em 1950, foi fundada, nos Estados Unidos, a National Association of Music Therapy e em 1968 ocorreu a primeira Jornada Latino-Americana de Musicoterapia na Argentina. Em 1971 foram fundados, no Rio de Janeiro e no Paraná, os primeiros cursos de Musicoterapia do Brasil e em 1980 a Universidade Federal do Rio de Janeiro iniciou a Prática Clínica da Musicoterapia.

2.3 Formação

A Musicoterapia é reconhecida pelo Conselho Federal de Educação desde 1978 por meio do parecer 829/78 e, atualmente, a profissão do musicoterapeuta está incluída no Código Brasileiro de Ocupação com o Código 2263-05.

O musicoterapeuta se qualifica por meio de um curso de graduação ou de pós-graduação lato sensu (especialização) de Musicoterapia. Para ingressar na especialização, o candidato precisa ser graduado nas áreas da música, da saúde ou da educação, e ter um conhecimento de música se pertencer às duas últimas áreas citadas.

A formação do musicoterapeuta envolve conhecimentos relacionados com a medicina, com a psicologia e com a música, além do desenvolvimento do campo perceptivo.

2.4 Técnicas Musicoterapêuticas

O processo Musicoterapêutico é realizado através de diversos métodos, alguns são receptivos outros ativos. A musicoterapia receptiva é quando o terapeuta toca música para o cliente e ativa quando o próprio cliente toca os instrumentos musicais ou realiza outras atividades com o terapeuta.

A musicoterapia não tem como objetivo a produção musical, deste modo, o cliente não precisa ter conhecimento musical.

A Musicoterapia engloba diversas técnicas: Audição musical : o terapeuta e o cliente juntos escutam uma música; Recriação musical: reconstrução de uma música conhecida;

Improvisação musical: construção de uma música (verbal, instrumental ou ambos) o que possibilita uma análise da identidade sonora e musical do indivíduo;

Relaxamento: uso de uma música ou uma sonoridade a fim de relaxar o indivíduo, neste momento muitas vezes trabalhamos com o ritmo da respiração.

2.5 Locais de atuação da Musicoterapia

Clínicas e Hospitais Psiquiátricos Clínicas Multidisciplinares Clínicas Geriátricas Hospitais Clínico-Gerais

Hospitais Dia Centro e Instituições de Reabilitação Escolas Regulares e Especiais Instituições Sociais e Públicas Consultórios Particulares Empresas

2.6 Formação sonora do indivíduo

Rolando Benenzon, psiquiatra e musicoterapeuta Argentino, coloca que os fenômenos acústicos, sonoros, vibratórios e de movimento surgem desde o momento em que óvulo se une ao espermatozoide. (1988) Esses fenômenos estão presentes no roçar das paredes uterinas, no fluxo sanguíneo das veias e artérias, nos ruídos intestinais, sons da voz materna, etc.

“Todas as experiências vinculadas durante a gestação serão complementadas por vivências sonoras vibratórias e de movimentos que constituem os principais meios de estímulo e comunicação nessa etapa do desenvolvimento” (BENENZON,1988, p.13).

Hoje em dia sabemos que o feto tem uma percepção de seu universo sonoro apesar do nível da frequência e das alturas percebidas serem alteradas pelo líquido amniótico.

A qualidade da proteção sonora do bebê está relacionada ao modo como o meio sonoro da família é sentido e recebido pela mesma, pois se um barulho assusta a mãe, por exemplo, o bebê não poderá se sentir seguro. Edith Lecourt, psicóloga, psicanalista, musicista francesa e coordenadora do curso de formação em Musicoterapia na Université René Descartes em Paris coloca que na medida em que o bebê reconhece os timbres e as alturas ele se sente mais seguro sendo a voz materna a primeira a ser reconhecida.

Lecourt define esta noção de identidade sonora individual como sendo a delimitação dos fenômenos sonoros que pertencem ao indivíduo através dos quais ele se reconhece e se identifica. (LECOURT, 1994)

Segundo Benenzon, cada ser humano tem nele mesmo uma identidade sonora própria, o que ele chama de “ISO” que é a noção de existência de um som ou de um conjunto de sons ou de fenômenos acústicos e de movimentos internos, que caracterizam ou individualizam cada ser humano. (1988)

O ser humano quando recém-nascido entra em contato com o plano sonoro como produtor de tensões físicas que estão associadas aos gritos e choros. A partir de movimentos diversos são produzidas certas sonoridades que em contato com a sociedade e a história vão fazer surgir uma linguagem musical.

Cada indivíduo vivência as diversas experiências sonoras de um modo próprio e deste modo os diversos sons tem significados diferentes para cada um, uma mesma música pode provocar um sentimento depressivo em uma pessoa e um momento de extrema alegria em outra. Consequentemente quando realizamos um trabalho Musicoterapêutico precisamos ter um conhecimento prévio sobre as sonoridades que são do agrado, as que provocam um sentimento de irritabilidade e aquelas que provocam um sentimento de tristeza intensa, pois sem este conhecimento corremos o risco de estimular um sentimento oposto ao desejado comprometendo o trabalho.

2.7 O estímulo sonoro-musical

Importante considerarmos que o estímulo sonoro-musical é percebido simultaneamente pelo sistema auditivo, pelo sistema tátil, pelo plexo solar, pelos receptores articulares e musculares. (BENENZON,1988, p.22)

As sensações e emoções que são inconscientes se alojam no Tálamo e mediante a escuta de um ritmo musical podemos condicionar uma resposta inconsciente. A grande maioria dos estímulos sonoros, entre ele o ritmo e a melodia, que agem sobre o sistema nervoso são canalizados através dos níveis subcorticais enquanto que a harmonia é um produto intelectual do homem, a nível cortical. (BENENZON,1988, p.23)

Nas pessoas “normais” os dois hemisférios do cérebro trabalham em conjunto trocando informações através do corpo caloso, porém existe uma dominância dos hemisférios em certos aspectos. O hemisfério direito é dominante para habilidades espaciais, reconhecimento de faces, visualização mental e música. O hemisfério esquerdo é mais especializado em habilidades de linguagem, fonética, conversação, matemática e lógica.

Deste modo podemos compreender alguns comportamentos como o fato do gago não gaguejar quando canta, pois, a fala e o canto estão em hemisférios opostos. Outro comportamento que podemos perceber em nossa Ruth Bright, musicoterapeuta que desenvolveu a Musicoterapia na Austrália e foi cofundadora da Federação Mundial de Musicoterapia, coloca que a Musicoterapia é ligada às emoções e é útil para os indivíduos que tem problemáticas intelectuais, físicas, emocionais ou sociais vai de encontro ao

fato da música ser processada primordialmente no hemisfério direito, onde é dominante, assim como as emoções. Deste modo trabalhando através da música estimulamos o lado do cérebro que é responsável pelo afetivo.

sociedade é o fato de muitos professores de cursinho pré-vestibular utilizarem a música para estimular o aprendizado já que ela estimula o hemisfério cerebral direito complementando o aprendizado feito através da linguagem que fica no hemisfério cerebral oposto (esquerdo).

O modo como o cliente usa sua energia e se coloca perante o mundo ao tocar um instrumento musical, produz uma energia sonora que nos auxilia a perceber a energia que ele possui, como ele a usa e o que estes aspectos determinam e refletem sobre sua personalidade.

3. BIOENERGÉTICA

A análise Bioenergética, técnica de psicoterapia corporal criada e desenvolvida por Alexander Lowen tem suas raízes nos fundamentos teóricos de Wilhelm Reich, discípulo de Freud que se destacou pela obra psicanalítica e por suas pesquisas pioneiras nas áreas de biologia, física, politica e antropologia.

Parte da premissa que corpo e mente formam uma unidade funcional onde os processos energéticos do corpo determinam o que acontece na mente, e vice-versa. Considera que todas as experiências vividas são armazenadas no corpo na forma de tensões musculares as quais são Reich denominou de couraças musculares que formamos quando as emoções são represadas inconscientemente. São padrões inconscientes que levam o indivíduo a ficar em desequilíbrio consigo e com o meio.

Wilhelm Reich compreende o ser humano como uma unidade onde corpo e mente estão interligados exercendo um a influência sobre o outro. Ele elaborou o conceito de que o caráter e a atitude muscular eram funcionalmente idênticos, servindo à mesma função energética que liga psique e soma (1997 p33).

A Bioenergética compreende o individuo baseando-se em três eixos de compreensão: a estrutura corporal, a psicodinâmica e a terapia e tratamento.

A estrutura corporal engloba:

O padrão energético;

Características corporais;

Grounding que é estar identificado com seu corpo, ciente de sua energia, firmemente plantado no chão em contato com realidades básicas da vida e orientado para o prazer e

Respiração que nos fornece energia e move nosso organismo.

A psicodinâmica engloba a dinâmica emocional, os comportamentos característicos e o narcisismo primitivo.

A terapia e o tratamento incluem os trabalhos corporais, a interpretação e o vínculo.

A Bioenergética visa proporcionar uma produção e descarga energética aumentando o estado vibratório do organismo buscando uma auto percepção consciente.

Sentir cada parte do corpo e as sensações correspondentes leva a uma expressão dos sentimentos e a um aumento do contato consigo.

Através da Bioenergética estudamos a personalidade humana quanto aos processos energéticos do corpo (LOWEN, 1982, p.40) e buscamos liberar o organismo de tensões através do movimento, restaurando seu fluxo energético e buscando um equilíbrio entre carga e descarga.

A energia que circula nesse corpo, permeando nosso sistema físico e emocional, pode ser bloqueada durante o desenvolvimento pessoal devido a acontecimentos frequentemente traumáticos. Esse bloqueio que leva o indivíduo a ficar em desequilíbrio com o meio e consigo, com o passar do tempo transforma-se em marcas musculares crônicas denominadas de couraça por Reich.

Lowen coloca que a Bioenergética visa colocar o indivíduo mais perto do inconsciente, aspecto de nosso funcionamento corporal que não podemos perceber, tornando-o mais familiar e menos ameaçador (LOWEN, 1982, p.278/279).

“Energeticamente falando, o corpo todo pode ser visto como uma célula única, tendo a pele como uma membrana”. (LOWEN, 1982, p.45). Essa célula única que é o corpo humano é composta de diversos tecidos especializados, nervos, músculos, glândulas, vasos sanguíneos, mucosas, etc, que não percebemos conscientemente.

A Bioenergética visa tornar o inconsciente mais familiar e menos ameaçador expandindo a consciência colocando a pessoa mais perto do inconsciente na região onde a consciência corporal toca no inconsciente (LOWEN, 1982).

“A terapia Bioenergética combina o princípio de uma atividade ao nível somático, com um procedimento analítico ao nível psíquico” (LOWEN, 1977, p.52) tendo momentos de verbalização e outros em que existe um trabalho corporal através de movimentos, das respirações, de um trabalho com as tensões, etc. O paciente adquire novas experiências de movimentos que são integrados ao seu ego quando as sensações e sentimentos alcançam o sistema de percepção.

A Bioenergética trabalha com exercícios direcionados ao desbloqueio das couraças através de carga e descarga. Estes exercícios mesmos são direcionados conforme a leitura corporal de nosso cliente, que vem com sua história e o caráter, o que o define, que ele construiu no decorrer de seu desenvolvimento.

Lowen classificou o indivíduo em sete caráteres: esquizoide, oral, psicopata, masoquista, fálico narcisista e histérica.

O esquizoide e o oral tem sua formação na fase oral, o caráter psicopata e o masoquista na anal e o fálico narcisista e a histérica na fálica.

Na fase oral os traumas estão relacionados à nutrição a uma ausência da mãe que nutre, a esquizoidia se forma nos primeiros meses de vida enquanto que o caráter oral se forma mais no final desta primeira etapa.

O caráter esquizoide está relacionado a uma forte rejeição por parte da mãe nos primeiros meses de vida havendo uma forte cisão do funcionamento unitário da personalidade, um pensamento dissociado do sentimento e do comportamento podendo estabelecer um estado esquizofrênico. Seu corpo é estreito e contraído, tem uma grande tensão ao redor do diafragma que tende a dividir o corpo em duas partes que parecem não pertencer à mesma pessoa. Os braços pendem como pêndulos, os olhos são sem vivacidade e os pés contraídos e frios. O esquizoide tem um senso de si mesmo inadequado e sentimentos de terror e fúria assassina “guardando” seus sentimentos para fugir de si mesmo.

O caráter Oral está relacionado à presença de uma privação na primeira infância (até 12 meses) pela ausência da mãe devido à morte, doença ou por estar distante. Ele foi uma criança que aprendeu a falar e andar mais cedo que o normal e apresentou depressão no inicio da adolescência.

Tem geralmente um corpo esguio e estreito, uma falta de energia e força na parte inferior do corpo, musculatura subdesenvolvida, braços e pernas compridos e magros, pés estreitos e pequenos, pernas parecem não sustentar o corpo, corpos de criança, respiração superficial, baixo nível de energia, vista fraca com tendência a miopia, excitação genital reduzida. Difere do esquizoide por não estar enrijecido.

Contem traços típicos da primeira infância como: fraqueza, dependência dos outros, agressividade precária, sensação de precisar ser apoiado, cuidado, presença de carência afetiva.

Na passagem da fase oral para a anal se forma o caráter psicopata relacionado a uma falta de contato com a mãe e posterior sedução e abandono.

Tem uma alta carga energética na parte superior do corpo e uma energia bloqueada na parte inferior.

O caráter psicopata nega os próprios sentimentos, diferente do esquizoide que se dissocia do sentimento.

Existe um grande acúmulo de energia na própria imagem, uma motivação de poder e pode manifestar necessidade de controlar e dominar acima de qualquer ética ou moral. Corporalmente tem a parte superior muito desenvolvida com peito inflado, contenção na cabeça, nos ombros e diafragma.

O caráter masoquista está relacionado à presença de uma mãe invasiva e controladora, se forma na fase anal por volta dos dois anos.

Tem uma alta carga energética no dorso. É um individuo que suporta todas as emoções sendo queixoso ou rancorosamente produtivo até que não suporta mais e explode.

Tem medo de ser sufocado, esmagado e sente culpa e vergonha dos seus desejos. Corporalmente demonstra uma contenção muscular e frequentemente tem ombros para frente.

O caráter fálico narcisista e o histérico se formam na fase fálica, período do desenvolvimento da independência, tem uma alta carga energética que é contida, tem medo de rejeição e de ser traído.

O caráter fálico narcisista tem uma sedução sexual. São indivíduos proativos, vivem integrados em nossa sociedade e são realizadores. Corporalmente tem os músculos dorsais tensos e tensão nos genitais e no coração.

O caráter histérico está relacionado a um comportamento com pouca entrega. É uma realizadora, transforma sua sexualidade em poder, fica distante do coração. Corporalmente tem os músculos dorsais tensos e tensão nos genitais e no coração.

Com o decorrer dos anos com as demandas do mundo contemporâneo a análise Bioenergética foi-se ampliando e formaram-se assim outras escolas além da Bioenergética de Lowen.

Temos a Biossíntese criada por David Boadella que tem uma compreensão mais espiritual e analisa o individuo desde o período intrauterino, a Biodinâmica de Gerda Boyesen, a Psicologia Formativa de Stanley Kelleman, a Vegetoterapia de Frederico Navarro, a Core-energetics de John e Eva Pierrakos e a ergonomia.

4. O TAMBOR

“O tambor é uma maquina de mantra, algo cujas vibrações interagem com o seu próprio ser para promover uma mudança.” (“A drum is a mantra machine,

something whose vibrations Interact with your own to effect a change”, p.2)

Focamos no tambor por estar presente nas várias culturas e religiões desde as mais remotas eras da humanidade e pelo fato de ser usado terapeuticamente para promover a cura e a auto expressão através do ritmo além de estar presente em rituais e festas como meio de comunicação.

Ele é um instrumento musical, um catalisador de energia presente em todas as partes do mundo, todas as culturas construíram seus tambores e praticamente todos utilizam os tambores de alguma forma mística, ritual ou espiritual.

Podemos constatar a presença dele desde os primórdios nas citações presentes nos textos bíblicos, como algumas passagens do antigo testamento:

“Então Miriã, a profetisa, irmã de Arão, tomou na mão um tamboril, e todas as mulheres saíram atrás dela com tamboris, e com danças. (Êxodo 15:20)”.

“Sucedeu porém que, retornando eles, quando Davi voltava de ferir o filisteu, as mulheres de todas as cidades de Israel saíram ao encontro do rei Saul, cantando e dançando alegremente, com tamboris, e com instrumentos de música.(1 Samuel 18:6)”

“O Salmo 149 (veros 3) incentiva a louvar ao Senhor com harpa e adufe”.

O tamboril é um tambor pequeno e o adufe é um pandeiro membranofone quadrangular no interior do qual são colocadas sementes para enriquecer a sonoridade.

A maior parte dos tambores produz sons sem altura definida, mas alguns são afináveis e permitem produzir notas definidas. (WIKIPÉDIA)

Eles podem variar quanto aos formatos e materiais e tem uma forma circular representando o ciclo da vida e é o nome genérico atribuído a vários instrumentos musicais os quais golpeamos com as mãos ou baquetas.

Existem os membranofones que possuem uma membrana esticada a qual é golpeada com as mãos ou usando baquetas ou os idiofones percutidos que não possuem uma membrana esticada, como os tambores de fenda. Nesse trabalho focaremos nos membranofones que possuem a pele ou membrana que auxilia na vibração.

Essa membrana pode ser montada em vários suportes, uma armação sem caixa de ressonância como o pandeiro; sobre um tubo como o atabaque ou sobre um recipiente fechado como os tímpanos. Também existem tambores com peles nas duas extremidades. O corpo do tambor quando existe, além de dar suporte mecânico às membranas, também atua como caixa de ressonância para amplificar o som resultante da batida. (WIKIPÉDIA, Tambor)

Para a produção desse instrumento, hoje em dia não é mais usado apenas a pele de animal, porém, essa prática ainda é feita em tambores tradicionais folclóricos, que são usados para contar um pouco da história, e também servem como fonte de renda artesanal e cultural para vários povos e grupos ao redor do mundo.

Para a construção de tambores musicais modernos, são usados materiais sintéticos e membranas plásticas, que são produzidas tecnologicamente com a finalidade de serem mais resistentes quanto às variações de temperatura, junto com essa vantagem, esse tipo de material também tem maior facilidade para produzir sons de qualidade.

O seu uso mais conhecido é em marchas militares, para onde a indústria de tambores mais se direcionou, onde podem ser vistos vários tipos de produção dos suportes. Podemos tocá-los usando uma baqueta, podendo ser tocado, também, com a mão, o corpo serve não apenas para dar suporte, mas sim para ecoar o som da batida na membrana, criando um som mais poderoso, característico do tambor, que é usado nos diversos estilos musicais tal como o rock, jazz e o axé entre outros.

Existe uma grande caracterização de modelos que podem ser incorporados pelos fabricantes para a produção e venda do produto, o formato de seu corpo varia com sua construção, um de seus formatos básicos é o cônico, produzido por meio de entalhe de tronco de madeira ou construído a partir de ripas unidas e fixadas por anéis, esses são chamados de atabaques, congas ou bojudos.

Outro tipo de tambor é o timbalão, outro exemplo de tambor com o formato cilíndrico, é o tambor produzido de metal, como o timbale e o tamborim entre outros.

Existem outras variações com o corpo esférico e vários outros formatos, como a forma de um cálice, ampulheta, entre outros, como o Zarb que tem formato de copa.

O tambor é uma abordagem terapêutica antiga que usa o ritmo para promover a cura e auto expressão.

As vibrações da pele e do corpo do tambor produzem o som que tem um ataque de curta duração, ausência de escala e um único som ou gama reduzida. Em alguns tipos de tambor pode-se alterar a frequência do som variando-se previamente a tensão da pele.

O Som do tambor é percebido pelo ouvido e internamente sentido pelo ser humano a partir da 20a semana de gestação, quando o ouvido começa a enviar mensagem para o cérebro sendo o som o primeiro evento de consciência. Isto dá à raça humana uma nova impressão do primeiro som que qualquer ser humano já ouviu.

Esse som estava no útero e era um duplo batimento cardíaco.

O rufar dos tambores com baixa frequência auditiva (som grave) afeta o sistema de ativação reticular de uma forma que estimula o cérebro como um todo, podendo acelerar nosso processo de recuperação quando temos algum prejuízo neurológico.

Essa vibração penetra a matéria de nossos corpos, relaxa a musculatura, afrouxa as ligações entre as moléculas e propicia níveis mais profundos de concentração. O som do tambor é como o som do coração e desperta nossa energia individual e coletiva.

Pela simplicidade de construção e execução, tipos diferentes de tambores existem principalmente no Brasil. A variedade de formatos, tamanhos e

elementos decorativos depende dos materiais encontrados em cada região e dizem muito sobre a cultura que os produziu.

Atualmente, além das peles de animais que continuam sendo usadas nos tambores tradicionais, utilizam-se também peles sintéticas ou membranas

plásticas, que tem a vantagem de serem menos sujeitas às variações de temperatura e precisam de menos tensão para produzir sons com bastante qualidade.

Quando uma pessoa está com dor, emocional ou física, tocar tambor ajuda a pessoa a se centrar, o componente espiritual de um tambor é bem forte, e com frequência é especial e específico de cada indivíduo.

As batidas do tambor induzem a um profundo relaxamento reduzindo o estresse e consequentemente a pressão arterial.

O tambor pode auxiliar no trabalho com a relação materna, pois nosremete ao som do duplo batimento cardíaco ouvido e sentido no período intrauterino, o batimento cardíaco da mãe e do bebe que ressoavam.

“O bater de um tambor é antes de mais nada um pulso rítmico. Ele emite frequências que percebemos como recortes de tempo, onde inscreve suas recorrências e suas variações. Mas se as frequências rítmicas forem tocadas por um instrumento capaz de acelerá-las muito, a partir de cerca de dez ciclos por segundo, elas vão mudando de caráter e passam a um estado de granulação veloz, que salta de repente para um outro patamar, o da altura melódica. A partir de um certo limiar de frequência (em torno de quinze ciclos por segundo, mas estabilizando-se só em cem e disparando em direção ao agudo até a faixa audível de cerca de quinze mil hertz), o ritmo “vira” melodia”. (WISNIK, 1989, p.18)

É muito importante o uso dos tambores nas religiões, principalmente nas religiões afro-brasileiras tais como o Candomblé e a Umbanda entre outras. São usados para o acompanhamento dos cânticos e danças, mas também assumem um papel sagrado de ligação com as divindades.

Os tambores, de acordo com sua origem étnica, são classificados como: amerindios (originado nas Américas); europeu-amerindio (de oriem Européia);Afro-Americano e Asia-Oceania-Americano. A caixa do tambor é feita visando uma máxima sonoridade e vibração da pele o que em nossa sociedade moderna é conseguido devido ao conhecimento que temos das leis da física.

4.1 Tipos

Existem diversos tipos e modelos, variando o formato do corpo e a construção.

Citarei a seguir alguns presentes em nosso mundo tanto na cultura ocidental como na oriental.

ATABAQUES, CONGAS OU BOJUDOS

tambor

As congas, bojudos ou atabaques tem formato cônico e são produzidos por meio de entalhe de tronco de madeira ou construídos a partir de ripas unidas e fixadas por anéis.

Os atabaques podem ser vistos com frequência no nordeste do Brasil e em rituais do candomblé.

TAMBOR DE FENDA

congas

Encontrado na America do Sul, classificado como um idiophone, ouseja, não possue pele. Nesse trabalho foco nos membranophones que são compostos de pele, mas coloco esse para ilustrar o que é o tambor sem pele. Ele pode variar de tribo para tribo, é escavado, pequeno e estreito podendo ser encontrado na América do Sul, a partir do território costeiro de Venezuelas para o Sul do Peru, e ao longo de todo o Amazonas e seus afluentes.

CAJA – Bolívia

caja

Caja é um tambor pequeno que possue duas membranas de pele esticada em ambos os lados de uma caixa de metal. Seu som é indeterminado, não produz notas com altura definida. São tocadas com o uso de 2 baquetas.

TINYA

tinya

Tinya é um instrumento aborigena de percussão similar a um tambor, pertencente à zona andina americana: Equador, Peru, altiplanoboliviano, norte da Argentina e Chile.

É leve e construida a partir de couros crus muito finos produzindo um som vibrante e agudo. Tem uma origem mistica e era utilizada exclusivamente em rituais espirituais que se celebram na zona dos Andes.

DAFF – Egito

No período pré-islâmico no Egito temos o Daff, um instrumento muito conhecido no mundo árabe e usado somente por mulheres que ainda hoje o utilizam para acompanhar as danças femininas nas festas citadinas. No oriente médio é usado para acompanhar cânticos religiosos.

BONGO

bongo

Bongo é um membranofone composto por dois pequenos tambores unidos entre si. Em geral abertos na extremidade oposta da pele e com corpo cônico e constituído de várias peças de madeira encaixadas e presas por um ou mais anéis metálicos.

Encontram-se também menos frequentemente, bongos que são feitos de uma única peça de madeira escavada ou de metade de uma cabaça.

Um dos tambores tem um diâmetro um pouco maior do que o outro. Embora não tenham altura definida, a tensão da pele pode ser ajustada para obter a faixa de alturas desejada.

A diferença de tamanho faz com que um dos tambores seja mais grave do que o outro.

A pele utilizada pode ser de gado, cabra ou mula.

bongo2

ZARB

Zarb é um membranofone usado na Índia que tem formato de copa, um lado é maior e coberto de pele e o lado inferior é aberto. Ele é tocado com o uso dos dedos que percutem em diversas partes da pele do tambor produzindo diversos sons.

zarb

SURDO OU TIMBALÃO DE CHÃO

surdo

O Surdo (português brasileiro) ou Timbalão de Chão (português europeu) é um tambor de formato cilíndrico e de som grave.

É feito tipicamente de madeira, porém atualmente são feitos também de metal e pode possuir peles de ambos os lados ou não, representa a extensão mais grave dos timbalões.

É tocado com o uso de baquetas e geralmente apoia-se no chão sobre os seus pés.

TIMBALES OU TIMBALAS

timbales

Os Timbales são tradicionalmente montados em pares e tocados de pé.

São tambores de baixa altura, com apenas uma pele, menos profundos que os timbalões, e geralmente mais agudos.

Podem ser tocados com uma variedade de baquetas, toques com a mão, toques no aro e rufos, para produzir uma vasta gama de sons.

O corpo do instrumento é geralmente feito de metal, mas alguns construtores oferecem timbales feitos de madeira. As peles são leves e afinadas de um modo agudo tendo em conta o seu tamanho.

TAIKÔ

taiko

No Japão o termo Taikô geralmente é usado para referir-se a qualquer um dos vários tambores japoneses.

O processo de construir Taikô varia entre os produtores, mas a maioria inclui a confecção e definição da força do corpo do tambor, escolhendo uma superfície para a pele do tambor e cuidadosamente esticando a superfície acima do tambor para criar uma tensão apropriada.

O Taikô tem uma origem mitológica no folclore japonês e parece ser um estilo de tambor de origem japonesa. O Taikô teria sido introduzido no Japão através da influência cultural coreana e chinesa entre 300-900 d.C.

Alguns tambores de Taiko são semelhantes aos encontrados da Índia, Tailândia, Vietnã e outras culturas, o que sugere que existiram influências do sudeste asiático.

Sua função variou durante a história, tendo funções de comunicação, ação militar, acompanhamento teatral, cerimônia religiosa e apresentações em festivais.

Na época contemporânea, os tambores de Taikô foram a base de certos movimentos sociais de minorias tanto dentro quanto fora do Japão.

TAMBOR XAMÂNICO

tambor-xamantico

O tambor xamânico é o veículo xamã que nos permite comunicar na língua sagrada do espirito, produz estados claros de transe e níveis de relaxamento profundo. É também meio de conectar com os pontos mais distantes da grade energética.

É construído dentro dos parâmetros muito precisos para a eficácia máxima.

A borda é feita de madeira, geralmente cedro, ou uma madeira local com boa qualidade sonora. A cobertura é mais tipicamente de couro cru.

Consideram que o tambor sagrado nos alinha com as forças da harmonia que é um atributo universal da consciência e nos ajuda a viajar através do espaço do coração.

Quando ouvimos o tambor ressoar nós criamos uma possibilidade de oferecer a vida para nós e para o universo inteiro.

BODHRÁN – Celta

bodharn

Na cultura celta temos o Bodhrán que também era usado como peneiras de alimentos. Bodhrán é um instrumento bastante peculiar na música celta, no folk e em vários estilos e é de uso comum na Irlanda, Escócia e País de Gales, sua pronuncia correta é bow-rawn ou boran.

É semelhante a um tambor, é feito um arco de uma madeira dura e amarelada onde é esticado o couro de pele curtida de cervos.

Pode ser tocado com as mãos ou com uma haste de madeira de formatos diversos que chamam de “cipin”.

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5. O CAMINHO TERAPÊUTICO SONORO-CORPORAL

No processo terapêutico trabalhamos utilizando o tambor e suas possibilidades sonoras buscando a integração do indivíduo.

Podemos utilizar o tambor para auxiliar no desbloqueio das couraças estimulando o paciente a entrar em ressonância com o ritmo do tambor através da respiração profunda.

O tambor também é um meio de expressão quando proporcionamos que nosso cliente expresse verbalmente sua emoção batendo no tambor. Através do modo e da intensidade com a qual bate no tambor, nosso cliente demonstra como se coloca no mundo o que retorna para ele pela vibração levando-o a ter uma maior percepção de si mesmo.

Percebemos no decorrer da leitura como a Musicoterapia e a Bioenergética compreendem nosso organismo de um modo similar e como um trabalho através do ritmo e vibração inclui e une as 2 técnicas terapêuticas, uma auxiliando a outra na compreensão do ser humano.

A Musicoterapia e a Bioenergética consideram importante o mundo sonoro constituído desde o período intrauterino e as experiências no decorrer da vida que para a terapia corporal levam à formação das couraças.

Consideram que existem traumas e registros que ficam instalados em nosso inconsciente e em nosso corpo.

As vibrações sonoras, nesse caso, do tambor, ressoam através de cada célula de nosso corpo estimulando a liberação das memórias celulares e auxiliando na remoção dos bloqueios produzindo liberação emocional.

Emitem ondas sonoras que são capazes de modificar os estados energéticos.

Deste modo tanto a Musicoterapia como as terapias corporais usam o sonoro como um forte canal de acesso às emoções trabalhadas no processo terapêutico.

Nossa história está inscrita em nosso corpo e nossa mente, deste modo, quando recebemos uma vibração emitida nesse caso pelo tambor, ocorre uma mobilização do fluxo energético estagnado, desbloqueando ou flexibilizando as couraças liberando as emoções, sensações e pensamentos.

André Fertier, compositor e pesquisador de Musicoterapia na França, citado anteriormente, fala da percepção sonomestésica que é o que nos permite ter consciência de nossos ossos, ligamentos, órgãos e de suas reações.

A percepção que o plano sonomestésico nos possibilita através do som entrar em contato maior com nosso organismo e nos permite conscientemente e inconscientemente captar os estímulos sonoros além do sistema auditivo; através da transmissão óssea, tátil, pela pele, pelos órgãos, pelos músculos, a percepção das vibrações.

Em seu livro La pratique de la musicothérapie (p.40), Edith Lecourt, coloca que as reações orgânicas resultantes da audição musical estão relacionadas ao prazer sentido. Deste modo o sonoro pode ser sentido diferentemente na medida em que diferentes pessoas podem dar diferentes respostas à mesma sonoridade. O prazer tem uma tendência a aumentar os ritmos cardíaco e respiratório.

A escuta dos ritmos e variações de tempo podem intervir em nosso modo de respirar e no desenvolvimento de nossa capacidade de respirar. Assim o trabalho com a respiração e mudança rítmica da mesma buscando o desbloqueio das couraças em um trabalho Musicoterapêutico e Bioenergético.

O tambor pode auxiliar no ritmo respiratório estimulando o contato com nosso ritmo interno com pulsações que nos remetem a períodos primários de nosso desenvolvimento. Para promover um aumento da carga energética do corpo através da respiração e ativar as sensações que foram reprimidas podemos trabalhar com ritmos produzidos no tambor e sentidos pelo nosso corpo acentuando mudanças de nossos ritmos cardíacos e respiratórios que nos remetem a uma maior consciência de nossas emoções mais internas.

O tambor é um mediador na comunicação e funciona ao nível subcortical, mais ligado ao inconsciente, não intelectualizado e racionalizado, que expressa simbolicamente tensões emocionais de forma direta e espontânea (FREFTMAN,1989, p.52).

Lecourt coloca que os instrumentos de percussão, categoria onde o tambor está incluído, são mediadores da expressão da agressividade, do controle e da motricidade.

Assim podemos pensar no uso do tambor tanto para a expressão da agressividade como para o controle das emoções.

Os corpos e os instrumentos de música constituem emissores de energia e a quantidade de energia que um indivíduo possui e como ele a usa irá determinar e refletir em sua personalidade.

Deste modo, concluímos que através da energia sonora que o cliente produz pelo modo como toca o tambor nos permite perceber a personalidade do cliente, pois a forma como ele usa a energia para produzir o som é como ele se coloca perante o mundo.

Lowen coloca que “o ritmo é, por sua natureza, altamente pulsátil e, em função deste fato, está relacionado a todos os demais fenômenos de descarga energética” (LOWEN, 1977, p.84). O ritmo está presente desde o período embrionário através do ritmo do organismo da díade mãe-bebe e é algo que pode propiciar uma regressão através de uma experiência básica e primitiva.

O som pode ressoar com uma frequência, quebrar o boqueio e encher o circuito de energia Bioenergética evitando assim a somatização. Graças ao princípio de ressonância entre som e corpo esta terapia pode ajudar a parar a evolução ou mesmo produzir uma involução do processo de somatização e adoecimento do corpo.

CONCLUSÃO

No decorrer da leitura podemos perceber como o som está presente m nosso organismo e nossa vida e deste modo concluirmos que acrescentarmos o sonoro ao trabalho terapêutico corporal é de grande auxílio.

O sonoro-corporal é um caminho presente desde o período intrauterino e que nos acompanha no decorrer de nossa vida quando formamos nossas couraças. Com sua vibração, o sonoro vem nos auxiliar na movimentação celular e assim a quebra de nossas couraças e deste modo auxiliando em nosso contato com nossos traumas de um certo modo, mais inconsciente, não tão controlador.

Ao trabalharmos com o tambor com sua sonoridade e sua vibração juntamente com a percepção corporal proporcionamos um maior contato do indivíduo com o seu interior e registros inconscientes.

Através de um trabalho rítmico com a respiração estimulando um controle da mesma e deste modo promovendo uma redução do ritmo cardíaco levamos o indivíduo a um estado conscientemente dirigido de diminuição da velocidade do metabolismo o que é natural entre Golfinhos e Baleias. Trabalhando esse controle rítmico respiratório nos possibilita aprofundar o contato de nosso cliente com seus bloqueios emocionais.

Biologicamente é a respiração que fornece energia ao corpo, Fregtman confirma isso dizendo que respirando tomamos o oxigênio que fornece energia para o funcionamento de nosso metabolismo, sendo assim, quando mais oxigênio mais energia. (1989, p.143).

O contato intensificado com nosso ritmo interno representado pelo ritmo que produzimos no tambor expressando nossa emoção mais interna naquele determinado momento nos possibilita entrar em contato com o sentimento mais verdadeiro que não está engessado pela compreensão consciente.

Há muito tempo, entre os nativos norte-americanos, o tambor era considerado o cavalo ou a canoa que leva ao mundo espiritual e que faz a conexão entre o Céu e a Terra. Como a conexão entre o Céu e a Terra, comunicamos nosso espírito ao nosso corpo formando um uno.

O tambor é utilizado por sacerdotes do mundo inteiro. Como o Damaru (instrumento de Shiva), os tambores japoneses, as tumbadoras cubanas, cultos afro entre outros.

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FERNANDA VIEIRA DA MOTTA

São Paulo 2015

Instituto de Análise Bioenergética de São Paulo

Curso de Formação em Análise Bioenergética

Orientador: Prof. Léia Cardenuto